Aparências enganam
Alexandre Augusto Tavares, 26/12/2020
· Filosofia ·
É possível olhar para uma baleia e achar que ela é um peixe, e não o maior dos mamíferos, que apenas vive como animal marinho; é possível olhar para um morcego e julgar que é um pássaro, e não o mais veloz dos mamíferos, que apenas se comporta como uma ave; é possível olhar para o pequeno besouro taurus, de apenas 2 cm, e não se dar conta de que ele é o mais forte de todos os animais; é possível fascinar-se pela elegância de uma vespa do mar, sem imaginar que ela é o mais venenoso de todos os seres vivos; quem considera a invisibilidade do ar que nos mantém vivos pode surpreender-se pelo estrago que ele produz agitado num furacão...
Pois é, aparências enganam. Muitas vezes o que vemos não corresponde à realidade. E essa dificuldade visual relativa ao mundo material se acentua no campo espiritual. “Enxergar” o mundo invisível, como almas, anjos, Deus... não é para todos!
O próprio ser humano pode enganar nossa vista, aparentando ser o que não é. Se até a nosso próprio respeito nos enganamos! Olhando, por exemplo, para nossas más tendências, podemos julgar que não somos capazes de fazer o bem que desejamos, de abandonar vícios e demais dificuldades psicológicas. Ou, pelo contrário, podemos nos julgar capazes de tudo, como semideuses, que apenas não fazemos porque não queremos.
Seja como for, de fato o homem não é capaz, sozinho, de viver fazendo o bem: “Sem mim, nada podeis fazer.” (Jo 15, 5) Realmente não fomos criados para viver sozinhos, e sim com Deus. E aí, sim, com sua divina ajuda, tudo se torna possível: “Tudo posso n’Aquele que me dá forças.” (Fl 4, 3)
Evitemos, portanto, juízos temerários, pois alguém que hoje está afundado numa vida desregrada, pode, amanhã, estar voando como uma águia; e vice-versa. Não julguemos as pessoas por suas boas ou más ações, pois elas podem mudar a qualquer momento.