Amor apaixonado de Cristo por mim
Alexandre Augusto Tavares, 2/2/2016 - Revista Por Ali, nº 6
· Reflexão ·
Na noite da última Ceia, estava já tudo preparado para o supremo holocausto. Decidido a enfrentar o maior tormento da História, o Cordeiro se dirigiu ao Horto das Oliveiras e ali começou a orar, enquanto seus apóstolos mais chegados caíram no sono.
Ali Jesus previu toda a sua Paixão até o momento da morte na Cruz, bem como o futuro da Igreja. E o que mais lhe doeu nesta visão profética não foi sua prisão, seu julgamento infame, seus castigos atrozes, sua injusta condenação, a via crucis nem a morte humilhante, crucificado entre dois ladrões; o que mais lhe doeu foi a previsão de que toda a sua Paixão não seria suficiente para conquistar o amor das almas. Jesus viu que os mais chamados a uma íntima união com Ele O desprezariam. Esta indiferença foi, sem dúvida, seu maior tormento, a ponto de que começou a transudar sangue, enquanto aplicava a si as palavras do Salmista: “Quæ utilitas in sanguine meo? ─ Qual é a utilidade do meu sangue?” (Sl 29,10)
E com a oração “Pai, afasta mim este cálice [de dor], mas faça-se a tua vontade e não a minha” entregou-se deliberadamente à imolação redentora.
Quando se ama alguém que não retribui o amor, tende-se a abandonar o amado, ou até a mudar aquele amor em ódio, como vingança pela rejeição.
Mas Cristo, amando-me apaixonadamente, mesmo não encontrando correspondência da minha parte, mantém fielmente o seu divino amor por mim. Aliás, amou-me antes mesmo de eu nascer.
Quantas vezes o ser humano mendiga o amor de alguém e não é correspondido?! O mesmo acontece com Jesus: Ele mendiga o nosso amor e, para nos convencer de que nos ama com amor perfeito e infinito, derramou por nós até a última gota de seu preciosíssimo Sangue.
Ó Senhor, até quando eu vou desprezar vosso amor? Até quando serei indiferente à Paixão com que me redimistes, me amastes e Vos sacrificastes por mim? Transformai o meu coração com vossa graça, porque vosso Sangue não foi suficiente para convencer-me!