Amar é obedecer

Alexandre Augusto Tavares, 16/11/25

· Espiritualidade ·

Jesus carregando um cordeiro

Há pessoas que somente fazem a vontade de Deus quando esta é também a sua; se a vontade de Deus for diferente da sua, desprezam-na ou a rejeitam.

Ora, que mérito há em cumprir o que Deus quer quando também sou propenso àquilo? A prova do amor, e o mérito, estão propriamente na obediência às vontades diferentes das minhas inclinações.

É notório na vida dos santos, a imitação da submissão de Jesus, Maria e José aos planos de Deus. Sequer podemos dizer que os membros da Sagrada família tivessem um plano de vida pessoal, a não ser “cumprir o plano divino”.

Jesus atrelou o amor à obediência, quando disse “quem me ama cumpre a minha palavra” (Jo 14,23).

E eis aí a grande dificuldade do amor: contrariar sua própria vontade, dobrar o amor-próprio. O pior é quando o indivíduo não é sincero e, para não aparentar desobediência ─ e desamor ─, maquia a vontade de Deus, como subterfúgio de continuar cumprindo-a. Isto é o que fazem os hipócritas, os tíbios, os liberais e os hereges: como não querem cumprir a vontade divina, dão-lhe uma interpretação adequada aos seus caprichos, encobrindo assim a responsabilidade da obediência.

Como disse Paul Bourget, “quem não vive como pensa, passa a pensar como vive”. Se o que Deus lhe pede é incômodo, simplesmente reinterpreta a vontade de Deus para combinar com a sua. Ora, retorcer uma verdade com silogismos e interpretações subjetivas não altera a verdade em si, pois ela permanece sempre a mesma, como Deus, que é imutável e imune ao falseamento humano.

Por isso, o relativismo, o liberalismo e todas as heresias são sempre ilusão, culposa e digna da punição divina.

Para quem é sincero, a vontade de Deus é sempre clara e objetiva, pois não poderia ser ela uma condição essencial do amor se assim não fosse.

Como poderia Jesus nos ensinar a “fazer a vontade do Pai aqui na terra como é feita no céu”, sem que nos fosse revelada que vontade é essa? Sabemos, pois que, em primeiro lugar é para nós a expressa vontade de Deus que:

1) Cumpramos seus 10 Mandamentos.

2) Cumpramos os mandamentos da Igreja;

3) Cumpramos as ordens lícitas de nossos superiores.

4) Cumpramos os conselhos evangélicos;

5) Cumpramos as inspirações que o Espírito Santo nos revela na oração e nos acontecimentos de nosso dia a dia.