AMDG - Para a maior glória de Deus

Alexandre Augusto Tavares, 8/8/2021

· Espiritualidade ·

Lema dos jesuítas

Desde que fundada por Cristo, sua Igreja obedece ao mandado do divino Mestre de “ir e pregar a todos os povos” (Mc 16,15). E como resultado desta gigantesca e bimilenar obra apostólica, nenhuma instituição teve no mundo, durante período tão extenso, tanta influência quanto a Igreja Católica. O catolicismo vai galgando fronteiras, pervadindo todos os campos do conhecimento, dos costumes e do comportamento humano, civilizando e cristianizando tudo, até que o Evangelho seja “pregado pelo mundo inteiro para servir de testemunho a todas as nações” (Mt 24,14).

Nesta evangelização, exercem importante papel as ordens e congregações religiosas, imprimindo, cada uma segundo o seu carisma, o perfume de variados aromas das virtudes de Cristo. O acrônimo AMDG representa um destes aromas cristãos. Trata-se do lema criado por Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, cujos membros são conhecidos por jesuítas.

Ad Maiorem Dei Gloriam significa em latim “para a maior glória de Deus”. Influenciados por esta ideia de imprimir em tudo o que façamos a intenção de dar a Deus a maior glória, os jesuítas divulgaram por todos os lugares onde atuaram, o lema AMDG. E assim ele é visto em edifícios, esculturas e outras obras de arte, bem como em documentos (inclusive papais), seja no início ou no fim, lembrando que Deus merece toda glória, a todo momento.

Uma glória atrelada à intenção de quem pratica a ação. Ou seja, tudo o que fazemos pode ou não ter esta intenção de dar glória a Deus, e de dar a máxima (maiorem) glória. Para dar “a maior glória” a Deus, basta que, ao realizarmos qualquer ação, por menor que seja, tenhamos expressa esta intenção de que estejamos dando a Ele o máximo louvor. Grande responsabilidade a nossa, hein! Pois uma mesma ação, executada talvez do mesmo jeito, pode ou não estar dando glória a Deus.

Qualquer atitude ou gesto nosso pode significar uma adoração plena a Deus, dependendo simplesmente da nossa pura intenção: podemos comer, beber, exercitar-nos, lavar-nos, dormir, estudar, trabalhar... transformando todas essas ações em adoração. Que prejuízo quando não o fazemos...!

E assim agindo, estaremos “amando a Deus acima de todas as coisas”, na medida da sinceridade da nossa intenção. Obviamente acrescentar esta intenção de louvor às nossas ações acarretaria a feliz consequência de uma mudança significativa, uma sacralização do nosso comportamento, que nos permitiria facilmente repetir como São Paulo: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim.” (Gl 2,20)

“Ó Santíssima Virgem Maria, modelo de todas as perfeições, que sempre viveste cada segundo da vossa vida ad maiorem Dei gloriam, imprimi em nossos corações este puro desejo de realizar todos os mínimos movimentos da nossa alma e do nosso corpo com esta intenção sincera de dar ao vosso divino Filho a máxima glória!”