A simplicidade divina e a complexidade humana

Alexandre Augusto Tavares, 18/12/2022

· Espiritualidade ·

Frase de Leonardo da Vinci sobre a simplicidade

Dir-se-ia que o homem é um ser simples, e Deus, complexo. A verdade, porém, é bem o oposto: Deus é simplicidade, e o homem é complexo, não tanto por sua natureza, mas pelo uso que ele faz de sua vontade livre.

Por mais complicada que pereça a perfeição, ela tem sempre uma estrutura ordenada e simples. Pelo contrário, o fator complicação está ligado à desordem, ao desajuste, ao desequilíbrio e à imperfeição.

O homem é “semelhante” a Deus por ter inteligência, sensibilidade e vontade autônoma. Essas três potencias são um instrumento “divino” para nos conectarmos a Deus em sintonia com seu nível divino.

O problema ocorre quando, ao “operarmos” – enquanto criaturas – essas três potências divinas, agimos em dissonância com a sabedoria de Deus, na qualidade de seres falhos, débeis, incapazes, ignorantes, insensíveis.

Há, pois, duas formas de “manusearmos” as nossas potências: uma divina e outra humana. Ora, o bom funcionamento das nossas potências (inteligencia, vontade e sensibilidade) – divinas pela semelhança com Deus – exige um operar divino; se as operamos como meros homens, não chegarão a funcionar corretamente, apresentarão falhas, erros e defeitos, complexidades.

E as tristes consequências dessa complicação são lógicas e previsíveis: preocupações excessivas, pensamentos intrusivos, ansiedade, insegurança, medos, que provocarão no corpo reações doentias ou, no mínimo, insônia, alteração de batimentos cardíacos, tensões musculares... tudo provocado por uma atitude autônoma, individualista e egoísta nossa, desprovida de confiança na divina Providência.

Pelo que o funcionamento ordenado da nossa alma – e do corpo, a ela atrelado – está subordinado à ação divina. Ação esta que não acontece sem uma intenção da nossa parte.

Resumindo: não somos capazes, sozinhos, de usar ordenadamente a inteligência, a vontade e a sensibilidade; mas sim, com a ajuda de Deus, é possível. Entretanto, para para obter este auxílio, é necessário manifestarmos a Deus a intenção sincera de que Ele nos ajude a operar correta e ordenadamente as potências divinas com que Ele nos presenteou. Daí a grande necessidade da oração.

E assim, capacitados pela graça para agirmos divinamente, entramos num estado de ordenação, simples, que nos descomplica. Por isso, todo santo é simples, como Deus, de Quem ele se torna efetivamente semelhante.

Somos complexos na medida em que não deixamos Deus agir em nossas potências para corrigi-las, ajustá-las, equilibrá-las e fortalecê-las.

Deus nos criou para sermos simples como Ele. E nos oferece SEMPRE sua graça para nos levar a essa simplicidade.

Contudo, a escolha é nossa: podemos desejar e pedir esse auxilio, ou agirmos por nós mesmos, afundando dia a dia na complexidade de nossas misérias.

Descompliquemos, conectando-nos à singeleza divina!

Ó Maria Santíssima, Mãe da divina simplicidade, tornai-nos simples como Vós, José e Jesus!