A seriedade do agora

Alexandre Augusto Tavares, 28/9/2022

· Espiritualidade ·

O juízo final de Deus

Nascemos dentro de uma caixinha chamada tempo, dentro da qual nos movimentamos durante toda a vida, até dela sairmos com a morte.

Deus, porém, olha para a caixinha contemplando a minha história e a de toda a humanidade, num único olhar, sem distinção de passado, presente e futuro. Ele já está vendo o que acontece quando saímos da caixinha: se estamos ou gozando no Céu da felicidade eterna, ou queimando no Inferno.

Pára um instantinho esta leitura, e te põe a pensar seriamente “onde“ Deus está te vendo após a tua morte: no Céu ou no Inferno? Estás gozando da paz e da alegria totais da visão beatífica, ou estás te contorcendo de dor e angústia na morada dos demônios e precitos?

Agora faz o movimento inverso: imagina-te voltando no tempo, desde o momento da tua morte, até esta leitura. Pára de novo, e contempla o pequeno percurso que farás dentro da caixinha, de agora até a morte, quando Deus te julgará, dizendo “vem para a glória eterna” ou “vai para o fogo eterno”.

Este tipo de reflexão é bem comum entre os santos, pois eles levam a sério a vida, este brevíssimo tempo que estamos na caixinha.

Mas nós, que não somos santos, passamos o tempo nos preocupando em viver, na caixinha, como se a morte e a eternidade não existissem... Em vez de buscar, a todo instante, a maior glória de Deus, buscamos a nossa própria satisfação: prazeres, comodidades, vantagens, dinheiro, reconhecimento, influência, poder, beleza, sucesso e tudo o mais que representa o amor a mim mesmo e o desprezo da vontade de Deus. Chega a morte, e com ela o grande susto...

Não, a vida não foi feita para o prazer, para o trabalho, para comer, beber e dormir! Viver assim é rejeitar o grande presente de Deus: a possibilidade de vivermos santamente, dando a Ele toda a glória que possamos, a cada segundo de nossa existência.

Não, Deus não deve ser aquela Pessoa de quem nos lembramos durante alguns momentinhos do nosso dia! Ele é o Criador, o Redentor, quem nos oferece continuamente a sua Graça para que possamos usar plenamente a nossa liberdade de vivermos por Ele, com Ele, n’Ele e para Ele.

A cada segundo de nossa existência estamos escolhendo o bem ou o mal. Mas é muitíssimo mais fácil escolhermos o mal, porque isto fazemos sozinhos; enquanto a escolha do bem depende da Graça divina, a qual só obtemos pedindo com humildade. Ou seja, nosso livre arbítrio não é exatamente de escolher entre bem ou mal, mas de escolher entre mal e a oração humilde.

Quisera eu que estas palavras te incentivassem a começar, urgentemente, a olhar para o teu presente com seriedade, a buscar no agora da tua vida um caminho de amor a Deus e ao próximo. Se os houvesse, eu te aconselharia um bom diretor espiritual. Mas na escassez em que vivemos, restam apenas as boas obras de espiritualidade escritas pelos santos: estuda Santa Teresa, São João da Cruz e tantos outros.

Não deixes isto para depois, porque amanhã podes já estar na eternidade... Cuida-te!