A sacralidade do cristão
Alexandre Augusto Tavares, 2/12/2015 - Revista Por Ali, nº 4
· Teologia ·
Logo no início de sua vida pública, Jesus instituiu o sacramento do Batismo, como princípio da vida cristã. O Batismo é a base sacramental, a condição para o cristão começar a se beneficiar abundantemente dos méritos infinitos da Redenção e, por fim, entrar no céu.
Através do Batismo, deixa-se a mera condição de criatura de Deus, e passa-se a ser verdadeiramente filho de Deus e membro da Igreja. A partir de então, a própria Trindade Santíssima ─ o Pai e o Filho e o Espírito Santo ─ vem morar no batizado, como num templo sagrado: “Não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis?” (1 Cor 6,19)
Com o Batismo, não apenas Deus vem morar em nós, mas Ele passa a ser o Senhor de nossas vidas. Porque quem se faz batizar renuncia ao demônio, ao mundo, à carne e ao pecado, para se entregar a Jesus: “Não sabeis que vossos corpos são membros de Cristo?” (1 Cor 6, 15) Dá-se então uma espécie de fusão entre o cristão e seu Senhor: “Quem se une ao Senhor, torna-se com ele um só espírito.” (1 Cor 6,17)
De fato, o ser humano foi criado para unir-se e pertencer a Deus: “O corpo não é para a impureza, mas para o Senhor, e o Senhor para o corpo.” (1 Cor 6,13)
A vida trinitária de Deus no cristão traz, de certa forma, o céu para dentro dele. Quantas vezes invocamos o nosso Pai que “está no céu”, sem nos darmos conta de que ele faz em nós sua morada... Somos templos de Deus, sacrários vivos que levam o Senhor!
Esta é, aliás, a principal razão para o bom relacionamento entre os cristãos: cada um deles é propriedade do Senhor e templo do Deus Trino. Não importa a idade, o sexo, a raça, a nacionalidade, a integridade física... nem mesmo o grau de união que o cristão tenha com o Senhor: todo batizado que vive na graça é uma casa viva de Deus, que merece não apenas respeito, mas até veneração. Mesmo os cristãos que não se comportam inteiramente segundo o espírito de Deus, porque a qualquer instante podem receber uma graça e se tornarem digna morada do Senhor.
Mesmo os não católicos, enquanto peregrinam por este mundo, devem ser tratados com respeito, já que também por eles foi derramado o Sangue de Cristo e, a qualquer momento, podem tornar-se sacrários vivos de Deus. E trabalhar para que isto aconteça é no que consiste o verdadeiro apostolado católico, é a missão de todo batizado.
Vivamos, pois, esta união íntima e poderosa com o Senhor, e conquistemos para Ele mais almas que estejam dispostas a renunciar ao pecado para tornarem-se habitação permanente do Deus que é Amor.