A revelação trinitária

Alexandre Augusto Tavares, 2/8/2016 - Revista POR ALI, nº 12

· Teologia ·

Jesus sendo batizado no Jordão, por São João Bastista

No Antigo Testamento, em mais de uma ocasião, Deus usou o plural para referir-se a si mesmo: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança” (Gn 1,26); “Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecedor do bem e do mal” (Gn 3,22); “Desçamos e confundamos ali a sua linguagem” (Gn 11, 7); “Quem irá por nós?” (Is 6,8)

Porquanto, se não se tratasse apenas do recurso literário “plural majestático”, era possível aventar a existência de uma pluralidade em Deus. Mas somente com a vinda do Redentor é que foi revelado à humanidade o mistério da divindade triuna.

A primeira manifestação da Trindade se deu por ocasião do batismo de Jesus. Ali, após o Filho ─ Verbo de Deus encarnado ─ receber a água em sua cabeça, abriu-se o céu e dele desceu sobre Jesus o Espírito Santo, em forma de pomba. Ouviu-se então uma voz do alto, que disse: “Este é o meu Filho dileto, nele está o meu agrado pleno.” (Cf. Mc 1, 9-11; Mt 3, 17; Lc 3, 21-22)

Este mistério foi confirmado por Jesus, quando mandou: “Ide e fazer discípulo por todo o mundo, batizando-os em nome do Paí, do Filho e do Espirito Santo.” (Mt 28,19)

É também o que se depreende da saudação de Paulo, em sua segunda carta aos coríntios (13,13): “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós.”

Uma das verdades mais belas e impressionantes sobre a Trindade é o mistério da inabitação, ou seja, o fato de Deus vir “morar” naqueles que o amam: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra; meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada.” (Jo 14,23) E para ficar bem claro que este “nós viremos” inclui o Espírito Santo, São Paulo escreveu: “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1Co 3,16)