A pureza de intenção
Alexandre Augusto Tavares, 2/8/2016 - Revista POR ALI, nº 12
· Reflexão ·
Quando se fala de pecado, logo vem à mente a ideia de uma ação concreta. Entretanto, pode-se pecar por obras, palavras e pensamentos. No que diz respeito aos pensamentos, peca-se propriamente quando se deseja algo ilícito, independente de obtê-lo de fato.
Ademais, é extremamente importante notar que qualquer ação pecaminosa é precedida pela intenção. Por isso Jesus disse que quem consente num desejo de pecar,
já pecou: “Quem olhar para uma mulher com intenção impura, em seu coração, já cometeu adultério com ela.” (Mt 5,28) Daí os dois mandamentos que proíbem “cobiçar" bens e cônjuges alheios.
Assim, a intenção é a principal responsável pela conduta; ela é que determina o pecado ou a virtude. Daí a importância primordial de direcionar a intenção para
um fim bom, pois “onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mt 6, 21). Ou seja, sempre vamos atrás, instintivamente, daquilo que desejamos. Se quisermos saber o que realmente amamos, basta olhar para aquilo que o nosso coração deseja: nossos desejos revelam onde está o nosso tesouro.
A pureza de intenção é exaltada por Jesus no Sermão da Montanha: “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.” (Mt 5,8) Eis o prêmio inestimável daqueles que mantiverem suas intenções longe da impureza: “verão a Deus”.
Por isso, resta-nos desejar com ardor essa visão divina, e cuidarmos para que nossa vontade queira unicamente o que é da glória do Senhor.
Para isso, roguemos como o Salmista: “Ó Deus meu, cria em mim um coração puro, e renova dentro de mim um espirito inabalável.” (Sl 51,10)