A prova do amor
Alexandre Augusto Tavares, 24/8/2021
· Espiritualidade ·
A obrigação de amarmos o Criador acima de todas as coisas não é um Mandamento alheatório, mas uma consequência natural, proveniente do fato de sermos criados por Deus e para Ele.
Na eternidade teremos o prêmio de vê-Lo, visão que produz a felicidade eterna. E para que esta alegria celeste fosse possível, Deus nos criou com a liberdade consciente de desejá-Lo. Exatamente pela necessidade desta liberdade é que Deus não poderia nos ter criado já na glória; é preciso que nós a queiramos, e demonstremos isto durante um tempo: a vida terrena.
Mas aqui, neste tempo de prova, não vemos a Deus, pois tal visão produziria necessariamente a glória da bem-aventurança, reservada para a eternidade. Esta é a razão pela qual “amar a Deus sobre todas as coisas” é a principal necessidade dos peregrinos desta vida.
No Céu amaremos a Deus sem esforço, apenas com prazer; aqui, devemos amá-Lo com o esforço da nossa vontade, que às vezes não se sente movida a dispensar este amor. Temos de amá-Lo sem vê-Lo, sem entendê-Lo e sem senti-Lo. E a grande prova de que realmente o amamos é buscá-Lo no escuro, na incompreensão, na preguiça, nas aparências de que estamos sozinhos, de que Ele não nos ama, porque nem sempre percebemos o seu Amor.
A Sabedoria divina age de forma a não notarmos a sua ação, fala de forma a não ouvirmos a sua palavra, toca-nos de forma a não sentirmos a sua mão carinhosa. Tudo isto para provar a nossa fé. Ele se esconde para ver se sentimos sua falta; educa-nos paternalmente, deixando-nos errar, cair e chorar... Quer que aprendamos a ser como Jesus, escolhendo sabiamente, agindo vigorosamente e confiando cegamente.
Quão difícil é vivermos sem a certeza de que estamos agradando inteiramente a Deus, de que estamos cumprindo fielmente a sua Vontade...! Quão difícil é tomar as decisões da vida quando Ele não mostra o caminho, ou quando tarda a indicá-lo...! Quão árduo é suportar o tédio da fé, que deve crer sem ver, sem saber e sem sentir...! Quão torturante é lidar com os desequilíbrios da nossa mente e das nossas paixões egoístas...! Quão difícil é optar pelo bem quando nossa vontade e nossos sentimentos estão desmotivados, e somente a nossa razão nos aponta o bom caminho...!
Mas é assim mesmo que deve ser a nossa prova! Pois se ela fosse fácil, deixaria-nos desconfiados com relação à excelência do prêmio eterno. “Per crucem ad lucem!” ─ Pela cruz se chega à luz!
Aceitar os desígnios de Deus em nossa vida, como o lugar onde estamos, o momento em que vivemos, as pessoas que nos circundam e TUDO de bom ou ruim que nos acontece (como sendo a vontade da Divina Providência) equivale a cumprir um 11º Mandamento, agregado ao primeiro, do Amor.
Abraçar o tédio, a incerteza, a solidão, a incompreensão, a humilhação, a perseguição e todas as formas de incômodos e dores é assumir a cruz de Cristo, é fazer parte de um grupo pequeno de fiéis que amam sinceramente, aqueles a quem Jesus chamou de bem-aventurados no sermão da montanha.
E como ninguém é capaz de sair vitorioso nesta luta sem a Graça de Deus, peçamos humildemente a ajuda divina, para mantermos erguido o estandarte da virtude e da fidelidade.