A profecia dos três dias de trevas
Alexandre Augusto Tavares, 31/1/2025
· História ·
No mundo católico são raros os que nunca ouviram falar da profecia sobre os três dias de trevas que cobrirão a terra, anunciando uma nova era. Uma noite prolongada, em que nada será capaz de produzir iluminação, com exceção das velas bentas.
Não conhecemos o momento em que ser dará esse fenômeno. Isto significa que uma criança que ouça tal profecia e providencie a sua vela, talvez passe toda a vida esperando, sem que o evento aconteça...
Por quê, então, Deus revelaria tal acontecimento com tanta antecedência, a gerações que não o presenciaria?
Sim, é necessário, para que quando aconteça, fique claro para os contemporâneos, tratar-se de um evento previsto e amplamente anunciado, pois, do contrário, os bons e os chamados à conversão nesta ocasião se sentirão seguros sobre como proceder, dado que a gravidade da situação será propícia ao desespero, de tão horripilante.
A notícia da profecia não deve, portanto, provocar qualquer tipo de apreensão e neurose; pelo contrário, deve inspirar confiança!
Se, pois, o objetivo da profecia é preparar os bons, estejamos prontos e conheçamos o que foi dito! E assim, mesmo que não seja para os nossos dias, estejamos preparados!
Vamos, então, elucidar os fatos com a verdade revelada. E isto vem muito a propósito, uma vez que há muita gente mal-intencionada espalhando boatos sobre essa profecia. Por exemplo, atribuem-se falsamente palavras de São Pio de Pietrelcina sobre os três dias de escuridão, sendo que, na realidade, ele nunca divulgou nada a respeito.
Vamos agora ao que “oficialmente” se conhece sobre esses três dias profetizados. Na verdade, de forma oficial nada existe sobre o vaticínio, uma vez que a Igreja Católica nunca se pronunciou a esse respeito, ficando, portanto, ao critério de cada fiel acreditar ou não nessas revelações particulares.
Contudo, a Igreja beatificou a vidente que nos deu a primeira notícia sobre essa famosa profecia, Ana Maria Taigi, que viveu entre 1769 e 1837. Isto imprime, sim, certa credibilidade às palavras da beata:
“Virá sobre toda a terra uma escuridão intensa durando três dias e três noites. Nada poderá ser visto, e o ar estará carregado de pestes que afetarão principalmente, mas não somente, os inimigos da Religião. Será impossível usar qualquer luz feita pelo homem durante esta escuridão, exceto velas bentas. Aquele que por curiosidade abrir a janela e olhar para fora, ou sair de casa, cairá morto no local. Durante estes três dias, as pessoas deveriam permanecer em suas casas, rezando o Santo Rosário e implorando a misericórdia de Deus. Todos os inimigos da Igreja, conhecidos e desconhecidos, perecerão sobre toda a terra durante essa escuridão universal, com exceção de alguns que Deus logo converterá. O ar será infectado por demônios que aparecerão sob todos os tipos de formas horríveis.” (Private Prophecies, Roma, 1863).
Considerando que, no processo de beatificação, a Igreja analisou todos os escritos de Ana Taigi, vamos nos deter unicamente nesta profecia, omitindo comentar e sequer mencionar os supostos detalhes posteriores, como os da “mística” Marie-Julie Jahenny.
Assim sendo, analisemos o texto da profecia original.
“Virá sobre toda a terra uma escuridão intensa durando três dias e três noites. Nada poderá ser visto.”
O evento lembra dois outros acontecimentos relacionados à luz do sol. O primeiro, quando Josué “parou o sol”, prolongando o dia noite adentro, afim de que o povo judeu pudesse vencer seus inimigos na claridade. O segundo, quando Nossa Senhora de Fátima realizou, em outubro de 1917, o conhecido Milagre do Sol assim descrito: “O sol, girando loucamente, parecia de repente soltar-se do firmamento e, vermelho como o sangue, avançar ameaçadoramente sobre a terra como se fosse para nos esmagar com o seu peso enorme e abrasador.”
O que quer dizer essa noite prolongada por três dias? Obviamente não é uma boa notícia; seria melhor que fossem três dias claros, sem noites! As trevas simbolizam o mal, o pecado. Tem como objetivo uma punição dos maus e, em consequência, uma libertação da opressão aos bons.
As palavras iniciais falam de um fenômeno que será visto e conhecido por toda a humanidade, uma vez que se dará sobre toda a terra. Eis aqui a conveniência de este importante evento ter sido anunciado com tantos anos de antecedência.
Também chama a atenção o fato de que as trevas serão completas, pois nada poderá ser visto. Não se trata, portanto, de um fenômeno natural, mas de algo propositalmente gerado por Deus para marcar a História da humanidade.
“O ar estará carregado de pestes que afetarão principalmente ─ mas não somente ─ os inimigos da Religião.”
Juntamente com a escuridão envolver toda a terra, pandemias infectarão principalmente os maus (inimigos da Religião), mas também alguns que não são inimigos da Igreja, certamente com o objetivo de convertê-los inteiramente.
“Será impossível usar qualquer luz feita pelo homem durante esta escuridão, exceto velas bentas.”
Para reforçar o aspecto divino da catástrofe, fica claro que nada ou ninguém será capaz de enxergar nessas trevas nem evitá-las. Mas há uma exceção: as velas bentas. Quem tiver uma vela abençoada pela Igreja, poderá enxergar durante os dias de escuridão. E se poderão enxergar, a própria exceção lhes exclui do castigo, colocando-os numa categoria de pessoas privilegiadas, protegidas pela divina Providência.
Aqui se vê que, se de um lado os maus serão punidos como inimigos da Igreja, esses outros, cujas velas produzirão luz, são os bons, os amigos fiéis da Igreja.
Uma das coisas que mais fica na cabeça das pessoas ao ouvirem essa profecia é a necessidade de ter uma vela para a ocasião. Contudo, no contexto seriíssimo dessa revelação, o que menos importa é a vela. Porque a causa do evento é a impiedade. Então, o importante é ser fiel! Quem tiver uma vela benta e não for fiel será deglutido pelo castigo, sem dúvida. A vela não é um amuleto com poderes mágicos, mas um instrumento para os bons. E o fiel que se encontrar num lugar onde não haja vela, será favorecido e protegido igualmente por Deus! Mantenhamos acesa em nosso coração a chama do amor divino, e nunca nos faltará a luz, por mais densas que sejam as trevas!
“Aquele que por curiosidade abrir a janela e olhar para fora, ou sair de casa, cairá morto no local.”
Esta instrução é bem clara: durante os dias de trevas não se deve sair de casa, nem sequer olhar para fora. E quem o fizer, sofrerá um castigo semelhante à da mulher de Lot, que virou estátua de sal ao olhar para trás na fuga de Sodoma. Façam fora os ruídos que fizerem; chamem, gritem, implorem por ajuda os amigos mais íntimos… nada deve mudar esta decisão: manter portas e janelas fechadas, sem olhar para o lado externo!
“Durante estes três dias, as pessoas deveriam permanecer em suas casas, rezando o Santo Rosário e implorando a misericórdia de Deus.”
A menção ao santo Rosário mostra igualmente que categoria de pessoas serão preservadas do castigo: aquelas que têm verdadeira devoção a Jesus e Maria, os autênticos amantes da Igreja, que levam uma vida pura e que não se deixaram contaminar pelos males da época, real causa do castigo.
A recomendação é, pois, de aproveitarmos o momento de trevas para recolhimento e oração: esqueçam-se os planos, projetos, trabalhos, compromissos… tudo deve ser deixado para trás, pois uma nova era surgirá após esses três dias, tudo será diferente, renovado.
“Todos os inimigos da Igreja, conhecidos e desconhecidos, perecerão sobre toda a terra durante essa escuridão universal, com exceção de alguns que Deus logo converterá.”
Assim como no Dilúvio os infiéis foram deglutidos e restaram apenas os que estavam na arca, também aqui, após a eliminação dos maus durante os três dias de castigo, a humanidade terá um recomeço com os escolhidos que restarem.
Perecerão não apenas os inimigos declarados da Igreja, mas também aqueles que, dissimuladamente, fazem o mal; aqueles que talvez até a frequentem, mas que não têm Deus em seu coração. Toda falsidade e hipocrisia será punida, e todos conhecerão os verdadeiros fiéis e os dissimulados.
Mais uma vez, o texto menciona todos os inimigos, e diz que perecerão sobre toda a terra. Será claramente um castigo universal, do qual ninguém conseguirá escapar. Somente alguns dos infiéis aos quais Deus quiser converter serão poupados da morte.
“O ar será infectado por demônios que aparecerão sob todos os tipos de formas horríveis.”
Esta última frase deixa entrever a razão pela qual não se deve olhar para fora de casa: demônios aparecerão sob todos tipos de formas horríveis.
O homem não é capaz, em vida, de ver anjos ou demônios. E, como disse Deus a Santa Brígida, se lhe fosse possível vê-los, ele morreria, tal a espantosa superioridade da natureza angélica. Por isso é que quando um anjo quer ser “visto” por um humano, ele se “veste” de formas que nossos olhos podem ver.
Assim, durante os três dias de escuridão, os demônios se tornarão visíveis, assumindo formas espantosas, para castigo da humanidade. Não poucos, mas muitos: o ar será infectado. Abertas as portas do Inferno, todos os espíritos malignos servirão de instrumento punitivo para os maus.
Se tantos e terríveis males podem acontecer ao homem pela mão do próprio homem ou por catástrofes naturais, que diremos de males provocados diretamente pelos demônios, que conhecem os pontos fracos e sensíveis de cada ser humano, para imprimir-lhe um sofrimento físico e espiritual de grau nunca experimentado antes na História…!?
O texto da profecia aqui mencionado se refere ao momento do castigo, sem falar sobre os dias que o precedem ou o tempo que o seguirá.
Uma coisa é clara: não devemos associar esses três dias ao fim do mundo, e sim ao fim dos tempos. Uma era acaba e outra começa. O tempo de liberdade dos maus chega ao fim, e começa um novo tempo, onde os bons terão liberdade para crescer, para se desenvolver e edificar o reino de Cristo, o reino de Maria sobre a terra. Aquele reino que há mais de 2 mil anos os cristãos suplicam: “Venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no Céu.”
Agora sim, livre da maldita influência de dominantes mal-intencionados, a humanidade está livre para viver na terra a perfeição do Pai celeste à qual Jesus nos convidou. Todos os frutos da Paixão de Cristo renderão, neste novo momento da História, frutos abundantes. Começarão, então, aqueles simbólicos mil anos de prosperidade dos filhos de Deus, anunciados no Apocalipse, sem os quais não poderia acabar o mundo, pois só os maus teriam reinado na terra.
Os três dias de trevas serão a maior limpeza da História, comparada apenas ao Dilúvio. Mas enquanto lá foram as águas que purificaram a terra, aqui serão os espíritos angélicos, como obreiros de Deus.
E após a grande limpeza, terá início a época mais bela e abençoada da humanidade, pois reinará aquela que em Fátima prometeu: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!” Triunfo de Maria, triunfo da Igreja e dos bons, triunfo de Jesus Cristo Redentor!