A prática da castidade

Alexandre Augusto Tavares, 13/6/25

· Apologética ·

Mãos de uma moça segurando flores brancas

A observância dos Mandamentos é o segredo da liberdade cristã: o pecado escraviza; a prática das virtudes liberta.

As Leis divinas são preceitos naturais, sintonizados com a ordem do universo, inerentes ao funcionamento correto, estável e equilibrado de toda a criação.

Os Mandamentos não foram apenas escritos por Deus numa tábua e entregues a Moisés; eles foram impressos no universo ordenado e, principalmente, na consciência humana, de modo que ao violar uma dessas leis naturais, a consciência do homem o alerta, o acusa e incrimina.

Os Mandamentos estão gravados em nosso coração, moram em nós, são parte do nosso ser! Por isso o pecador nunca se sente bem; e, pelo contrário, quem cumpre a vontade de Deus, quem faz aquilo para o que a nossa natureza foi criada, sente-se em paz, vive alegre, bem-disposto, tem a mente equilibrada, o entendimento esclarecido, porque está em consonância com a ordem do universo, porque está em sintonia com o bem, com o belo, com o verdadeiro, está conectado ao Espírito de Deus.

O tema desta reflexão é especificamente a pureza, também chamada de castidade, continência ou virtude angélica.

A observância dos preceitos divinos ordena a alma e o corpo, dando-lhes saúde, equilíbrio e paz. E isto é especialmente notado na prática do 6º e do 9º Mandamento.

Em Fátima, Nossa Senhora mencionou o fato de que muitas pessoas iam para o Inferno por não guardarem a castidade, inclusive dentro do matrimônio. “Muitos casais não agradam a Deus”, disse a esse respeito.

Não é pois, de espantar que, após mais de cem anos passados, em que o mundo vai afundando mais e mais na impureza, cientistas neopagãos tentam “incriminar” a continência como sendo prejudicial à saúde, dizendo, por exemplo, que provoca nos homens resfriados frequentes e câncer de próstata. Ora, como pode uma prática ordenada por Deus fazer mal ao homem?! Ainda que fizesse (o que não é real), de modo algum poderia o ser humano entregar-se à sensualidade, pois estaria contrariando a ordem natural e o próprio Criador.

A minha pergunta é: por acaso esses pseudocientistas fizeram um teste de abstinência sexual por ─ pelo menos! ─ seis meses, um ano, para comprovar sua teoria? Acho vergonhoso algumas pessoas declararem que o homem precisa liberar esperma como sendo uma necessidade fisiológica. E essa afirmação se torna especialmente indecorosa quando parte dos lábios de um formador religioso, porque quem diz isto está atestando que ele mesmo não pratica a pureza... Se fizessem o simples teste da continência, observariam que esperma é como sangue, que se repõe ao ser eliminado, mas que não precisa sair do corpo, durante toda a vida. Por que não fizeram o teste? Por que a continência é uma virtude, que para ser praticada prolongadamente supõe a graça, a ajuda de Deus.

Não somos capazes, por nossas próprias forças, de enfrentar o nosso tríplice inimigo (demônio, mundo e carne) sem o auxílio divino. “Sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15,5), disse Jesus.

Com efeito, nossos pecados pessoais, e a tendência desordenada que herdamos de nossos antepassados nos desajustam e nos inclinam às tentações da carne, do mundo e do demônio. Mas Deus quer nos ajudar. E para Ele “nada é impossível”. Como disse o Apóstolo, “tudo posso naquele que me fortalece” (Fl 4,13).

A Igreja sempre defendeu e promoveu a castidade: Jesus foi virgem; Maria, a Mãe do Senhor, foi virgem “antes, durante e depois do parto”, como celebra a cristandade; Madalena, que se entregara à prostituição, de tal modo se arrependeu de sua impureza que, no calendário dos Santos, é venerada como a primeira Virgem do cristianismo, depois apenas da Virgem Maria, pois seu amor autêntico a purificou e restaurou; Paulo e todos os santos exaltaram e promoveram a castidade.

Godofredo de Bouillon, o nobre guerreiro francês, aclamado Rei de Jerusalém após ter libertado a cidade santa do domínio muçulmano, encontrando-se certa vez com um emir, este quis comprovar a fama de sua força. Desafiou-lhe a cortar a cabeça de um camelo com um único golpe de espada. Godofredo aceitou e, ao golpear o pescoço do animal, partiu-lhe ao meio.

Perguntou-lhe então o emir de onde lhe vinha tanta força. Sem hesitar, o nobre respondeu: “Da castidade!”

Sim, castidade é força e paz de espírito. Por isso é chamada de virtude angélica.