A plenitude dos tempos e hoje

Alexandre Augusto Tavares, 25/12/2020

· História ·

Os reis Magos adorando Jesus

Jesus nasceu “na plenitude dos tempos”, no momento exato previsto para sua vinda, segundo os desígnios da divina Providência. A humanidade encontrava-se nas trevas, já tendo provado suficientemente o exílio do Paraíso. Cristo veio então trazendo o perdão, a remissão do pecado, a graça, a paz da qual ele é o Príncipe.

Uma vez reabertas as portas do Céu, abria-se um caminho seguro de esperança e luz. A Igreja foi-se expandindo e civilizando os povos onde chegava, levando aos corações o amor de Deus, a caridade fraterna e a nobre simplicidade do estilo de vida cristão. Foram criados hospitais, universidades; o direito, outrora ríspido e sumário, se humaniza e se torna mais justo; os presos recebem cuidados antes inexistentes; arquitetura, música, arte, filosofia, teologia… todos os campos do conhecimento humano decolam e se aperfeiçoam à luz do Evangelho.

Mas após atingir um auge, começa, no fim da Idade Média, uma decadência espiritual que parece não ter fim. Uns poucos se mantém fiéis à civilização cristã. Mas, no geral – não obstante o progresso científico – tudo vai decaindo e regredindo.

Hoje, no terceiro milênio da era da graça, a humanidade se tornou tecnológica, científica, pragmática, globalizada... A velocidade invade e acelera os corações e as mentes, produzindo ansiedade, tensão, agitação interior, estresse, inseguranças, medos, depressão e diversos outros transtornos que sequer existiam na época de Jesus.

E, como nos dias do Messias, o mundo se encontra novamente na escuridão... trevas da fé, da esperança e do amor. Falsos sorrisos encobertam corações frios e consciências embotadas; falta a luz da verdade, do bem e do belo; a razão cede aos instintos mais primários, e bagunça as cabeças, afetando-lhes até a memória; o certo e o errado dançam juntos nas mentes uma cacofonia ecumênica; estranham-se mas se abraçam, como num confuso, assustador e interminável pesadelo. E assim, disfarçando um otimismo paradoxal, a humanidade caminha, cega mas sorridente, em direção ao abismo.

Por toda parte há sábios, filósofos, profetas, líderes, pastores que encaminham as ovelhas para o precipício; e elas, desorientadas, vão se deixando guiar rumo ao seu fim.

Onde estão os verdadeiros seguidores do Evangelho? Onde está a luz suave, pura e encantadora daquela doutrina cristã que civilizava, enobrecia e elevava os corações?

Sim, os fiéis existem, para garantir que o Sangue de Cristo não jorrou em vão, mas quão poucos e isolados...!

Ó divino e pequenino Príncipe da Paz, neste momento em que celebramos vossa vinda, numa época de tanta confusão, somos chamados, mais uma vez, a acreditar que a luz inocente e pura do vosso amor é capaz de iluminar nossas trevas e encher-nos de santa esperança. O que seria de nós, sem a vossa graça?

Vinde novamente, Senhor, renovar em nossos gélidos e insensíveis corações, a obra salvífica de vossa divina generosidade. Ordenai-nos, equilibrai-nos, dissipai a obscuridade do neopaganismo, e mostrai-nos novamente a escada que leva o Céu!

Que a intercessão de vossa santíssima Mãe e o zelo de São José sejam-nos favoráveis, para que não nos falte a vossa Graça, agora e sempre. Amém.