A mais bela flor

Alexandre Augusto Tavares, 11/2/2015

· Poesia ·

Uma mulher semeando num copo

Há muito tempo, no Oriente,
Um rei quis uma pretendente
Para o seu filho casar.
O Príncipe então meditou
E sábia decisão tomou
Para uma noiva encontrar.

Lançou, pois, um decreto real
Com mensagem excepcional,
Que foi verdadeira surpresa:
Qualquer dama podia se inscrever
Para ao Príncipe concorrer,
Mesmo não sendo da realeza.

Então uma jovem pobre,
Porém de coração nobre,
Decidiu participar.
Sua mãe não acreditou
Na decisão que a filha tomou
De o Príncipe encontrar.

Na verdade, desde menina,
Seu coração se fascina
Pelo Príncipe encantado.
Mas não esperava se casar:
Queria apenas contemplar
Por um instante o seu amado.

Chegou então o esperado dia
No qual o Príncipe escolheria
A mulher perfeita para si.
Mas sua nova decisão
Chamou deveras a atenção
De todos os que estavam ali.

A cada pretendente
Deu um vaso e uma semente
Pra que elas cultivassem.
E então certo dia
A todas chamaria
Para que os seus vasos mostrassem.

E assim a flor mais bela,
Azul, branca ou amarela...
Indicaria a sua princesa.
Não lhe importava se nobre,
Rica, distinta ou pobre,
Nem sequer sua beleza.

Os dias foram passando
E as moças os vasos regando,
Na esperança de uma flor bela.
Nossa jovem não tinha esperança
Que o seu sonho de criança
Fosse mesmo para ela.

Regou, entretanto, seu vaso,
Confiando no puro acaso,
Pois veria novamente o seu amor.
Mas quanto mais regava
E com frequência adubava
Não aparecia a sua flor.

Novamente convocadas,
Todas lindas como fadas,
Diante do Príncipe ficaram.
Notou então o fidalgo
Que nos vasos tinha algo:
Muitas flores já brotaram.

Eli estava, vidrada,
A menina apaixonada,
Transbordante de alegria.
Entretanto, no seu vaso,
Terminado o seu prazo,
Nenhuma flor havia.

O Príncipe então falou,
E grande mistério revelou
Sobre a sua decisão.
Olhou pra todas as flores
Com perfumados odores,
E disse com o coração:

“Vejo, sim, flores viçosas,
Mas de moças mentirosas
Que tentaram me fraudar.
Só uma entre vós é leal:
E será a princesa real
Com quem vou me casar.

“Como podem florescer
E assim tanto crescer
Sementes falsas de madeira?
Quem está com o vaso cheio
Certamente pôs no meio
Uma semente verdadeira.

“Mas tu, ó menina eleita,
És honesta e perfeita,
Eu te dou o meu amor!
Não mudaste minha semente.
Te amarei eternamente
Tu és a mais bela flor!”