A luta acirrada e incessante pela santidade

Alexandre Augusto Tavares, 2/7/2016 - Revista Por Ali, nº 11

· Espiritualidade ·

Um guerreiro medieval na armadura

Uma das últimas frases de São Luís de Montfort, pronunciada já no leito de morte, põe em evidência uma verdade nem sempre contemplada em nossos dias por aqueles que encetam o caminho da santidade: “Afinal deixarei de pecar!”

O santo não é aquele que não peca, mas aquele que não desiste de lutar empenhadamente, mesmo quando cai uma, duas, vinte... cem vezes. A ideia de impecabilidade não condiz com a realidade habitual do santo, mesmo que ele de fato não peque.

Não nos referimos aqui ao pecado mortal, porque os santos geralmente não o cometem, mas aos veniais e às imperfeições.

Há santos, é verdade, que mantêm sua inocência durante toda a vida, mas estes são raríssimos. O mais comum é que vivam numa batalha assombrosa contra o pecado, com a sensação que nunca o vencerão por inteiro.

E, por incrível que pareça, isso é para seu próprio bem. É o que se depreende desta afirmação de Santa Teresinha do Menino Jesus: “Consinta em tropeçar a cada passo, até em cair, em levar suas cruzes sem forças, ame sua impotência; sua alma tirará mais proveito do que se, levada pela graça, você praticasse com entusiasmo atos heroicos que encheriam sua alma de satisfação pessoal e de orgulho.”

Pela mesma razão, Jesus não concedeu ao Apóstolo Paulo a tranquilidade que desejava em seu caminho de santidade: “Para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte. Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte.” (2Cor 21,7-10)

Dai se conclui facilmente quão deturpada é aquela noção de que a santidade é um mar de rosas, e que o santo é um anjinho barroco que fica tocando violino sobre uma nuvem, livre das tempestades. Pelo contrário, neste Vale de Lágrimas, “a vida o homem é uma luta” (Jo 7,1); “o Reino dos céus é arrebatado à força e são os violentos que o conquistam” (Mt 11,12).