A lógica da salvação

Alexandre Augusto Tavares, 4/7/25

· Teologia ·

Conexeão com Deus

Deus nos criou para a glória eterna

Todo o universo foi criado em função dos seres inteligentes, que são dotados de inteligência sensível e volitiva. Para que estes seres possam partilhar a alegria do próprio Deus, precisavam ser inteligentes e livres, com vontade própria e independente.

Seria bizarro e antinatural Deus criar seres programados para amá-Lo, pois o amor é um ato livre da vontade, que só pode ser produzido de forma individual e independente.

Deus quer a nossa salvação

Deus não apenas nos criou para participarmos de sua própria alegria eterna, mas Ele deseja que aceitemos o seu convite.

Neste sentido, não há prova mais contundente do que a Redenção: o Homem-Deus se imolou para nos permitir a salvação.

Deus nos dá os meios para nos salvarmos

Não apenas reabriu-nos as portas do Céu que estavam fechadas por causa do pecado, mas nos deixou os Sacramentos, que são meios eficazes para nos manter na vida da Graça.

Por mais semelhante a Deus que seja uma criatura, ela não é capaz (somente por seu livre-arbítrio) de alcançar a salvação. Porque esta tarefa é divina, está acima das nossas capacidades naturais: “Sem mim, nada podeis fazer.” (Jo 15,5)

Necessitamos, pois, do auxílio sobrenatural.

Precisamos da força divina para superar a nossa natureza contingente e desordenada, e agirmos divinamente, praticando as virtudes e nos deixando levar pelos dons do Espírito Santo de Deus.

A santidade não pode ser praticada por seres criados, a não ser que recebam do Criador a graça que torna isto possível: “Para os homens é impossível, mas não para Deus; pois para Deus todas as coisas são possíveis.” (Ma 10,27)

Somente nós podemos decidir se nos perderemos ou nos salvaremos

Como vimos, não podemos alcançar a salvação por nossos próprios recursos, mas podemos ─ e devemos ─ desejá-la de todo o coração e pedi-la a Deus, com humildade e submissão.

Ninguém pode impedir a nossa salvação, a não ser nós mesmos. Como disse Santo Agostinho, “Deus que te criou sem ti, não pode te salvar sem ti.” Ou seja, Ele não nos salva sem que expressamente o queiramos. A nossa vontade é o fator determinante para recebermos a salvação.

Criados à imagem e semelhança de Deus, somos dotados de inteligência, sensibilidade e vontade livre para decidirmos se aceitamos ou não a bem-aventurança eterna.

Expressar o nosso desejo de vivermos eternamente compartilhando a alegria celeste é levar uma vida de santidade, de união com Deus, antecipando, já nesta terra, a fusão eterna que a Divindade nos proporcionará consigo mesma.

A vida do santo é uma experiência (em estado germinativo) do que será a glória no Paraíso.