A lógica da perseverança

Alexandre Augusto Tavares, 5/3/2024

· Reflexão ·

Um homem carregando um peso enorme

Os anjos foram criados no Céu, gozando de um convívio especial com Deus. Como espíritos puros, tinham grande capacidade de conhecer e amar a Deus. Entretanto, mesmo com tão elevados privilégios, um terço deles se revoltou contra seu Criador, e foram eternamente castigados, presos às chamas do Inferno.

Adão vivia no Paraíso terrestre e conversava com Deus toda tarde. Tinha sua natureza íntegra, propensa a fazer o bem. Contudo, desobedeceu a única proibição que Deus lhe impusera como prova de amor, para acatar a oferta de Eva. E com isto perdeu sua integridade, desordenou sua natureza e foi exilado com toda a sua descendência neste Vale de Lágrimas.

Cá estamos nós, os “degredados filhos de Eva”, enfrentando nossas paixões desregradas, em condições incomparavelmente mais desfavoráveis que as de nossos primeiros pais e as dos anjos.

Seria totalmente impossível nos salvarmos, não fosse a Redenção. Por isso, compadecendo-se da condição extremamente miserável e perigosa em que vivemos, Deus enviou seu Filho na plenitude dos tempos, não para brilhar como Rei e Modelo de toda a criação, mas para reparar nossas culpas ─ como se Ele mesmo, o Justo e Santo, fosse o pecador ─ e assim possibilitar nossa entrada no Céu.

Destarte, nossa salvação está condicionada às graças que Cristo conquistou para os que a queiram. Sim, isto mesmo: só os que a pede como verdadeiros necessitados, com humildade, seriedade e perseverança, é que a recebem.

Nossa perseverança na prática do bem depende de querermos ─ e querermos com toda a sinceridade do nosso coração ─ receber essas graças que estão disponíveis. A graça não chega a quem não a quer de verdade.

Por isso Jesus disse: “Nem todos os que dizem ‘Senhor, Senhor’ entrarão no Reino dos Céus.” Pois rezar sem querer é orar como papagaio.

A boa oração é aquela em que o orante olha nos olhos de Deus, considerando sua pequenez e a grandeza do Senhor, e lhe diz com toda seriedade: “Vós sabeis que é sincero o meu pedido. Vós sabeis que quero de verdade abandonar meus vícios e parar de pecar. Vós sabeis que quero realmente me unir a Vós e me santificar pelo vosso Espírito, tanto quanto seja possível nesta terra. Mas, Senhor, sem a vossa graça, nada posso. Tende pena de mim, e socorrei-me! Elevai-me do abismo de minhas misérias e tornai-me perfeito, meu Jesus, como perfeita é a Trindade Santíssima.”