A língua francesa

Alexandre Augusto Tavares, 13/2/2025 - Revista Por Ali, nº 7

· Linguística ·

Desenho de pessoas falando francês em Paris

Uma feliz combinação de sons delicados e elegantes, como o característico “u” de biquinho, o “r” gutural e as vogais anasaladas pelo “n" e pelo “m" classificam o francês como um dos mais belos idiomas do planeta.

Até a recente globalização do inglês, iniciada no século XIX com as vitórias militares norte-americanas e com a expansão dos filmes de Holywood, era a França que ditava as modas para quase todo o Ocidente. Daí a língua francesa ter influenciado tantos idiomas. O inglês recebeu suas influências já na Idade Média, durante a ocupação normanda na Inglaterra, período em que se tornou a língua oficial do reino.

Quem visita hoje a região central da cidade de São Paulo, encontra ali grande variedade de edifícios em estilo francês, como o Teatro Municipal, inspirado na Opéra de Paris. Cem anos atrás, taxistas falavam francês fluentemente. E, juntamente com o latim, o idioma estava na grade curricular dos brasileiros.

Digno de nota é o relato feito pelo ministro francês Georges Clemenceau em 1911, ao concluir sua passagem pelo Brasil: “[...] em São Paulo foi possível entregar-me sem reservas ao prazer de falar como francês a outros ‘franceses’, sem que nada me fizesse notar as particularidades de alma de um estrangeiro ao qual eu tivesse de me adaptar. A cidade de São Paulo (350.000 habitantes) é tão curiosamente francesa em alguns de seus aspectos que, durante toda uma semana, não me lembro de ter tido nem uma só vez a sensação de encontrar-me fora da Franca. O fato de a língua francesa ser ali correntemente falada, não é uma particularidade de São Paulo.” (Notes de Voyage)

O francês é falado hoje por meio bilhão de pessoas, sendo a segunda língua mais ensinada no mundo.

No tocante à literatura francesa, uma característica marcante é o fato de se primar pela concisão: o famoso espírito de síntese francês não desperdiça palavras e possui singular capacidade de dizer e escrever só o indispensével, sem entretanto omitir importantes detalhes.

Seus ditos espirituosos e por vezes pontiagudos esbanjam leveza e sabedoria:

La nuit porte conseille (A noite traz conselhos).

Tout passe, tout casse, tout lasse et tout se remplace (Tudo passa, tudo quebra, tudo cede e tudo se substitui).

L'appétit vient en mangeant (O apetite vem ao comer).

De fortune et de santé, il ne faut jamais se vanter (Da fortuna e da saúde nunca devemos nos gabar).

Tant que l'or luit, force d'amis (Enquanto o ouro brilha, atrai amigos).

Qui se ressemble s'assemble (Quem se junta, se assemelha).

Grands diseurs, petits faiseurs (Quem muito fala, pouco faz).