A lição do urubu
Alexandre Augusto Tavares, 25/1/2025
· Reflexão ·
Numa manhã chuvosa, abri a janela e vi, no alto de um poste, inerte como estátua, um urubu.
Fixando-o durante um tempo, percebi que às vezes ele movia a cabeça, talvez incomodado com a água que caía, ou simplesmente para observar o que estava ao seu redor.
Mas seu aspecto era de paciente, resignado com aquela situação que, obviamente, não era a ideal. Talvez seus instintos preferissem um dia ensolarado, no qual pudesse planar suave e majestosamente nas alturas, como lhe agrada.
Talvez estivesse com fome, mas a chuva escondera os odores fortes da carniça, impedindo-o de encontrar as podridões de que se alimenta.
Seja qual fosse o clamor de suas necessidades, lá estava ele, estático e paciente, aguardando passar a chuva.
Depois de um tempo, voltei lá para ver se ainda estava: tinha apenas mudado de lado, mas sim, continuava ali, perseverante e resiliente.
Aquele animal que tantas vezes representa o mal, por sua ligação com a sujeira e o fétido, afigurou-se para mim naquele momento como meu professor, ensinando-me a calma, a paciência e a perseverança.
Quantas vezes precisamos dessa atitude firme, forte, resistente e resignada durante as tempestades da nossa vida!
Obrigado pela lição, Professor Urubu!