A invisibilidade de Deus
Alexandre Augusto Tavares, 2/2/2016 - Revista Por Ali, nº 6
· Filosofia ·
Por ser puro Espírito, Deus é invisível. E, como Ser espiritual, não se comunica através de palavras sonoras, como nós humanos fazemos. Isto se apresenta como uma dificuldade para nos aproximarmos de Deus, sobretudo para as pessoas menos espirituais.
A elas especificamente se dirige esta reflexão, a fim de que considerem essa dificuldade a partir de um ângulo que facilitará sua comunicação com Deus.
A primeira verdade a considerar é que somos seres “mistos”: materiais pelo nosso corpo, mas espirituais pela nossa alma.
Estamos, pois, habituados a lidar com coisas espirituais, talvez sem perceber essa capacidade.
Se tomarmos, por exemplo, a dor: ela pode ser física ou espiritual. Física quando, por exemplo, lesionamos nosso corpo, quando ocorre inflamação, irritação ou infecção; e espiritual quando se trata de sentimentos ou emoções, como tristeza, medo, raiva, inveja.
Assim como um pensamento, um sentimento ou uma emoção não podem ser pegos por nossas mãos, também assim, Deus, que é puro Espírito, não pode ser tocado. O mesmo se diga sobre os anjos ou as nossas almas. Não obstante, estamos sempre em contato com todo esse mundo fisicamente intangível.
Interagir com o mundo invisível é humano e não nos deve causar estranheza. Daí o Credo católico (Niceno) afirmar que cremos em Deus “Criador de todas as coisas visíveis e invisíveis”.
Podemos ainda incluir como parte do mundo invisível elementos como o ar e o som que, embora possamos notar com clareza seus efeitos, não os vemos.
O mesmo acontece com os símbolos. Ao vermos a escultura de um leão, estamos em contato com uma força majestosa que transcende a simples estátua. Do mesmo modo, o Sol simboliza muitas qualidades que estão acima do fato físico de iluminar e aquecer a Terra.
É também por isso que o próprio Espírito Santo se deixou representar simbolicamente pela luz, pelo sopro (ar), por línguas de fogo, ou pela singela imagem da pomba.
Não nos sirva, pois, de desculpas para omitir ou desprezar o contato com Deus, o fato de Ele não se mostrar fisicamente aos nossos olhos. E assim, habituemo-nos a “olhar” para Ele do mesmo modo que olhamos para os nossos sentimentos ou emoções. Estabeleçamos com Deus um contato constante, no qual Lhe falemos com intimidade e confiança, como se Jesus estivesse junto de nós visivelmente, pois esta é a realidade, embora oculta à vista física.