A fé em Jesus Cristo

Alexandre Augusto Tavares - Revista Por Ali, nº 11, 2/7/2016

· Espiritualidade ·

A fé em Jesus Cristo

Existem dois tipos de fé: uma que simplesmente aceita as verdades ensinadas pela religião, e outra que faz dessa aceitação uma atitude de vida. A primeira é a “fé morta” da qual fala São Paulo; a segunda é uma fé viva, que produz frutos. A primeira é a fé apoucada que Jesus atribuiu a Pedro quando este afundou no caminhar sobre as águas; a segunda é aquela que, mesmo pequena como um grão de mostarda, é capaz de mover montanhas.

O principal objeto da fé é Jesus, em quem acreditamos como Redentor, Mestre e Canal da graça de Deus, Fonte sagrada de onde nos vem tudo quanto é divino, inclusive a própria fé.

Acreditar em Cristo não deve se limitar à aceitação de que Ele nos remiu do pecado e nos reabriu as portas do Céu: é indispensável tomá-Lo como nosso modelo de

vida, parâmetro de comportamento e amigo sempre fiel, que nos ama apaixonadamente, mesmo quando O desprezamos.

Acreditar em Cristo não é só crer que Ele nasceu da Virgem Maria naquela noite de dezembro, vinte séculos atrás; é preciso ter a convicção de que Ele ressuscitou e continua vivo, vendo-me o tempo todo, disponível a me ouvir a qualquer instante, conhecedor de todos os meus pensamentos mais íntimos, amigo solícito e desejoso de conviver comigo (espiritualmente na oração e fisicamente na Comunhão eucarística), sem o que eu não poderei me salvar.

Acreditar em Cristo é, portanto, viver continuamente na sua presença, de modo a comportar-se de acordo com esta realidade imutável.

Acreditar em Cristo é renunciar às sugestões do demônio, às atrações do mundo e dos prazeres da carne, para abraçar sua cruz e nela morrer com Jesus, numa morte que consiste geralmente em viver na renúncia de suas próprias vontades, preferências e liberdade de escolha.

Acreditar em Cristo é imolar-se constantemente, é desistir de levar uma vida pacata, tranquila e sem preocupações; é viver buscando sempre a vontade d'Ele, independente do sacrifício que isto possa custar.

Acreditar em Cristo é trabalhar empenhada e despretensiosamente para estabelecer o Reino de Deus na terra, sem a mínima intenção de aparecer ou de ser por isso recompensado.

Acreditar em Cristo é não ter medo de desfazer amizades nem de ser impopular ao defender a sua Igreja e combater energicamente quem a ela se opuser.

Acreditar em Cristo é amar, louvar e reverenciar sua Mãe Maria, sempre recorrendo confiante à sua infalível proteção e à sua eficaz intercessão junto a Deus.

E somente com esta fé autêntica, verdadeira e vigorosa é que, no dia de nossa morte, poderemos ouvir de Jesus: “A tua fé te salvou; vem comigo para a bem-aventurança eterna.”