A Concepção Imaculada de Maria

Alexandre Augusto Tavares, 2/12/2023

· Liturgia ·

A Concepção Imaculada de Maria

Já no século XV a igreja instituiu uma data para homenagear a Virgem Imaculada. Mas foi só em 8 de dezembro de 1854 que o Papa Pio IX proclamou o dogma da Imaculada Conceição, tornando verdade de fé o fato de que Maria foi concebida no ventre de sua mãe Ana sem a mancha do pecado original.

Sabemos que este e todos os outros privilégios de Maria foram-lhe outorgados em função da altíssima missão de ser Mãe do Verbo encarnado. Não convinha, pois, que o Filho Imaculado de Deus nascesse de uma mãe que herdasse os castigos atrelados ao pecado de Adão.

Contudo, não nos atenhamos a esta verdade para, de alguma forma, diminuir os méritos da Santíssima Virgem. Porque a conceição imaculada não anulou seu livre arbítrio, que é uma condição natural do ser humano, fosse antes ou depois da queda de Adão.

Lembremo-nos de que outra mulher já havia sido criada sem a mancha original: Eva. Entretanto, aquela, mesmo vivendo no Paraíso terrestre, pecou! Enquanto Maria, mesmo vivendo neste Vale de Lágrimas, manteve-se fiel a todas as graças! Fazendo ambas o uso de seu livre arbítrio. E sequer para a encarnação de Jesus Deus violou a vontade de Maria. Foi pelo “sim” dela que Deus se fez homem e habitou entre nós.

Maria foi santíssima e plena gratia desde o início de sua existência, não porque seria Mãe do Messias, mas por sua meritória fidelidade à vontade divina. Por isso o Anjo Gabriel a saudou dizendo “ave, cheia de graça”. Assim, Deus não a cumulou de graças para que ela concebesse o Salvador, mas a encontrou cheia de graça no momento de concebê-lo pelo Espírito Santo.

Jesus é chamado o Novo Adão, e Maria é a Nova Eva, querida de Deus, aquela que ficou livre da mancha original desde o início de sua existência, mas que ─ ao contrário de Eva ─ se manteve pura e sem mácula por toda a vida.

Cristo é o modelo de todo o universo, gerado pelo Pai desde toda a eternidade, e por quem todas as coisas foram criadas. Embora possuindo duas naturezas (a humana e a divina), Ele é todo Deus. Maria, por sua vez, é “divina” sem ser Deus. Toda humana ─ imaculada, sim ─, mas a criatura mais divinizada de todas, pela correspondência à graça.

Os méritos de Maria não se devem, pois, ao fato de ser concebida sem pecado, pois isto sim dependeu exclusivamente ─ e independente de sua vontade ─ de ser ela a escolhida para gerar o Homem-Deus; seus méritos consistem em sua extrema fidelidade às torrentes de graças recebidas ─ inclusive à graça da concepção imaculada.

Na Espanha é costume dizer não simplesmente que Maria foi “concebida sem pecado”, mas que foi “concebida em graça”. É o que diz normalmente um sacerdote ao fiel, quando este chega ao confessionário.

Louvemos, então, neste 8 de dezembro, a Virgem fiel, concebida na Graça e que se manteve sempre Imaculada!